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o cenário da indústria textil

O Cenário da Indústria Têxtil de Confecção no Brasil em 2015

Sem dúvida o cenário da indústria têxtil e de confecção este ano não foi dos melhores. A crise econômica pegou em cheio esses setores industriais, que são responsáveis pela geração de milhares de empregos. No artigo, a seguir, faço uma avaliação desse contexto.

O cenário da indústria têxtil e de confecção em 2015

A crise sempre vem para afetar as corporações, principalmente, aquelas que não conseguem ter uma gestão assertiva. É comum só ouvirmos falar em crise, seja no noticiário, nas fábricas ou nas ruas. Não há dúvida de que a crise, neste ano de 2015, veio com muita força.

O setor têxtil e de confecção, se não me falha a memória, é o terceiro que mais emprega no Brasil. A carência de mão de obra tem sido cada vez mais latente, por algumas razões, como: ausência de mão de obra (pessoas que queiram trabalhar nessa área), desqualificação etc.

Outras situações atrapalham o desempenho do setor têxtil e de confecção. Destaco a influência, por exemplo, da alta carga tributária. Afirmo isso porque cerca de 87% das empresas nesse segmento não conseguem sobreviver aos dois primeiros anos de atividade.

o cenário da indústria textil

Gestão das empresas de confecção

Outro fator que interferiu no cenário da indústria têxtil e de confecção é a gestão das empresas. Infelizmente, ainda há certo amadorismo nesse sentido.

O fato é que muitos futuros empreendedores acreditam que, ao herdar de seus familiares empresas de confecção ou quando resolvem empreender neste segmento por conta própria, comprando algumas máquinas de costura, mesa de corte de tecidos etc. montam uma confecção.

Na prática, estamos muito longe desta linha de raciocínio. A gestão dessas empresas, que abrange PCP, Custos, Logística e Produtividade, entre outros fatores, fará a empresa conseguir sobreviver neste mercado tão competitivo.

Outro ponto a considerar, quando avaliamos o cenário da indústria têxtil e de confecção, é o avanço tecnológico. Hoje em dia a tecnologia entrou ferozmente no segmento de confecção, com máquinas de corte de tecidos automáticas, tecnologia que chamamos de CAM.

Na verdade, uma máquina desse tipo também reduziu em cinco o número de colaboradores, o que realmente fez crescer assustadoramente o desemprego.

Não só no corte de tecidos a tecnologia se faz presente. Cito, por exemplo, uma máquina de embalar camisas, como pude observar com os alunos do Senai/Cetiqt numa visita à empresa de nome South, localizada no Sudeste do Brasil.

Antes dessa máquina eram dez colaboradores e, com a aquisição do equipamento, reduziu-se para três funcionários na realização dessa atividade.

Alta do dólar

O cenário da indústria têxtil e de confecção foi ainda fortemente abalado com a alta do dólar. É bem verdade que esse movimento, devido às oportunidades de exportação, tem levantado a ideia de se repensar o retorno das fábricas nas confecções.

Porém, esse retorno esbarra na baixa remuneração do setor, além da insuficiente política de incentivos e benefícios associada ao aumento de produção.

Muitas pessoas que estão fora das fábricas ou alguns empreendedores que não se envolvem com a parte industrial acham que o lead time de processo industrial é igual a jornada de pão.

Pensam que o princípio da confecção de um produto é igual a uma panificadora, em que o padeiro coloca no forno a massa e meia hora depois está pronta. Sabemos que não é assim.

Existe toda uma gestão, uma estratégia, que mencionei anteriormente, que precisa ser bem estruturada para que a empresa não esteja fadada ao fracasso.

A crise econômica prejudicou o cenário da indústria têxtil e de confecção no Brasil em 2015, ainda assim, se as empresas tivessem se preparado para esse momento, por meio de uma gestão mais assertiva, os efeitos devastadores poderiam ter sido menos acentuados.

O ano de 2016 vem aí e, com ele, a oportunidade de repensar estratégias e fazer um planejamento e controle da produção mais eficiente, de modo a trazer resultados significativos para as empresas. Dessa forma, poderemos construir um cenário da indústria têxtil e de confecção mais favorável nos próximos anos.

Como a sua empresa passou pela crise neste ano de 2015?
Quais mudanças precisou implantar?
Deixe aqui sua opinião.

Luiz Roberto Saraiva

Luiz Roberto Saraiva

Luiz Roberto Saraiva em Gestão da Indústria de Confecção
Sou natural da Tijuca, no Rio de Janeiro. Tenho 47 anos, sou graduado em Administração de Empresas pelo Senai/Cetiqt e possuo pós-graduação em Logística Empresarial pela Funcefet. Depois de mais de 19 anos de atuação profissional, posso dizer que sou simplesmente apaixonado pelo mundo da indústria têxtil e de confecção do vestuário.
Luiz Roberto Saraiva

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