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Terceirizando com os Presídios-Dr Gestão

Com o avanço dos grandes mercados e o surgimento de grandes empresas, o mundo se tornou mais competitivo. Cada segmento luta diariamente para sobreviver e mesmo nessa luta, muitos pequenos e às vezes até mesmo os grandes se veem as portas da extinção. Qualquer estratégia que possa ser utilizada como diferencial deve ser ao menos considerada.

Por este motivo decidi expor uma estratégia que muitas facções andam realizando para amenizar um dos maiores problemas atuais: Mão de obra.

Não é novidade para ninguém este conceito, quando você não possui a mão de obra ou maquinário necessário para dar conta da demanda, você pode delegar tarefas e terceirizar a custo monetário.

Claro que este recurso tem suas peculiaridades e você deve se manter atento com os detalhes. Trata-se de uma estratégia muito utilizada, mas que não só possui vantagens, mas também algumas desvantagens.

Agora a estratégia que vou propor aqui é ainda mais peculiar e é menos conhecida devido a sua classe diferenciada. É uma terceirização, contudo não da forma como conhecemos.

Terceirização em Presídios

Isso mesmo, utilizar mão de obra terceirizada de presidiários para sua facção ou oficina. Uma grande saída, tendo em vista a carência de mão de obra que existe em todo o Brasil e se torna pior a cada dia.

Utilizar esta metodologia é bom, pois além de você estar se ajudando com uma mão de obra mais barata, ajuda o apenado que ganha uma redução de pena e um salário para ajudar ele e a família que não está presa.

Fazer uso dessa mão de obra é algo ainda muito recente no Brasil, contudo está ajudando muitas empresas e facções que não estão em condições de pagar o valor integral da mão de obra deste mercado competitivo do qual estão inseridas.

Condições para Utilizar esta Mão de Obra

Existem algumas legislações que visam auxiliar e promover um acordo entre as empresas e presidiários para torna-lo justo e direcionar todo o processo por motivos de segurança de ambos os lados.

Primeiramente, não se pode pagar menos de 3 quartos do salário mínimo para o apenado que irá trabalhar para sua facção ou para sua oficina. Deste dinheiro, uma parte vai para despesas pessoais e a outra para a família.

O pagamento pode ser através de tarefas ou de horas. Um determinado número de tarefas a se cumprir antes do recebimento do salário ou ainda um determinado número de horas de trabalho como carga horária.

É necessário fazer um treinamento com essa mão de obra para que não ocorram acidentes ou até mesmo sua qualidade fique reduzida por contratar mão de obra não qualificada para o serviço. Em geral este treinamento leva de 3 a 4 meses para estar finalizado.

Existem alguns cuidados a se tomar com briga de egos, fato este que ocorra tanto em presídios femininos como também em masculinos.

Em regiões com grande incidência de calça jeans e camisaria normalmente procura-se essa mão de obra de presídios masculinos por conta do grande peso do maquinário para fabricar estas peças. O local com maior índice de uso dessa mão de obra para calças jeans é Minas Gerais.

Primeiros passos

Para começar a utilizar esta mão de obra existem alguns caminhos. Precisa montar uma estrutura de facção dentro do presídio. Você pode fazer parceria com algumas empresas para estas cederem máquinas ou outras contribuições

Você pode também trabalhar através de licitações tanto em presídios femininos como masculinos.

Essa é uma medida recomendada para quem possui certa demanda e necessita de mão de obra para fazer balanceamento, layout, treinamento entre outros.

Por fim, utilizar esta estratégia ajuda também o penado a sair da cadeia cumprindo sua pena e ganhando uma experiência durante este processo. Assim ele ou ela saem para a liberdade já sabendo 2 ou até mesmo quem sabe 3 máquinas e deste modo tem uma posição garantida em alguma facção ou oficina.

Portanto, você que possui sua empresa e está trabalhando com grandes volumes, precisa de maior número de trabalhadores faccionando, precisa reduzir sua mão de obra ou então está tendo um monte de problemas de qualidade, prazo de entrega e produtividade baixa, esta é uma boa estratégia para você.

De uma hora para outra não terá mais carência de ausência de mão de obra por faltas ou problemas de doença. Simultaneamente estará contribuindo com a sociedade, especializando esta fração da sociedade para que quando estiverem livres não cometam crimes e sim arranjem um emprego.  Um lado ajudando o outro.

Luiz Roberto Saraiva

Luiz Roberto Saraiva em Gestão da Indústria de Confecção
Sou natural da Tijuca, no Rio de Janeiro. Tenho 47 anos, sou graduado em Administração de Empresas pelo Senai/Cetiqt e possuo pós-graduação em Logística Empresarial pela Funcefet. Depois de mais de 19 anos de atuação profissional, posso dizer que sou simplesmente apaixonado pelo mundo da indústria têxtil e de confecção do vestuário.