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Corte de roupas – Dr Gestão

Corte de Roupas. Se  trata de um assunto complementar ao artigo de modelagem no papel e no CAD que postei anteriormente e tem como finalidade explicar alguns conceitos importantes para você que está do outro lado. Dentre eles vou abordar sobre a questão da terceirização, inspeção visual, descanso entre outros assuntos.

Nos meus dezoito anos envolvido na indústria de confecção e moda, aprendi muito com meu trabalho e isso me permitiu adquirir os conhecimentos que estou a dividir com vocês.

É muito importante você enfestar e depois cortar de forma correta. Logo que  você recebe a matéria prima inicia-se o trabalho de qualidade. Realiza-se a inspeção visual, gramatura, solidez e lavagem deste material. Também é necessário que ocorra o descanso da matéria prima de malha pelo período correto, normalmente de dois dias. E é esta hora que muitos empresários e faccionistas escolhem se arriscar. Mesmo com as orientações do fornecedor, estes profissionais não deixam o descanso do tecido  e principalmente a malha estar em repouso no período de  48 horas. As vezes nem mesmo 24 horas. O grande perigo, para modelagem, é o encolhimento da malha. Portanto, a primeira regra do corte é: “fazer o descanso de forma correta”.

Mais um erro do descanso é o armazenamento do tecido na usual forma de “fogueira”. Quando vejo isso costumo dizer “nem mesmo você vai conseguir descansar se estiver na fogueira, como é que a matéria prima irá descansar?”. A metodologia é deixa-las lado a lado, de forma vertical, possibilitando um verdadeiro descanso que não prejudique a peça e muito menos cause problemas sérios na hora de se trabalhar com essa matéria prima.

O encaixe deve ser feito de modo que haja um aproveitamento de 80% do material para ser considerado “um bom encaixe”. Este encaixe é feito, antes do corte. Um encaixe manual sem uso da ferramenta de CAD eletrônico. Muito se diz sobre o qual encaixe é melhor. A resposta é o encaixe manual, pois o profissional que trabalha com isso manualmente é muito mais experiente e o aproveitamento acaba ficando muito melhor do que se feito no CAD.

A vantagem do encaixe em CAD é a velocidade. Na hora de infestar deve-se estender várias folhas uma em cima da outra, perfiladas verticalmente. Para quem não sabe, enfesto é exatamente isso, este alinhamento entre as folhas. Prosseguindo, após empilhar as folhas (10, 20,30,40 delas), utiliza-se máquinas de disco para cortar a piloto em enfesto muito pequenos, de duas a três folhas, enquanto que usa-se as máquinas de faca para cortar enfesto de alturas mais elevadas devido ao comprimento da faca que pode chegar até sete polegadas.

Muito se afirma também sobre enfesto muito grandes influenciarem negativamente na qualidade do corte. Claro, vai depender do tecido e da matéria prima, mas principalmente da faca que você está utilizando. Não dá pra ter um enfesto muito alto com uma faca menor, o corte não saíra satisfatório, ou seja, a faca será utilizada de acordo com altura do enfesto, que consequentemente lhe trata qualidade. Não deve-se esquecer de deixar as folhas alinhadas, caso contrário este corte não sairá da forma correta. Por fim, existe uma máquina que corte  que apara  a sobra do final do enfesto, normalmente acoplada na mesa de corte, que tem como função cortar o final do enfesto.

Mais uma ação que auxilia muito no corte é se informar sobre a largura das folhas. Para isso é necessário entrar em contato com o fornecedor para que ele te dê todas as informações técnicas necessárias. Tendo conhecimento das larguras das peças, você deve fazer o possível para encaixar elas e alinha-las da melhor forma possível, sempre levando em conta que para malhas, o ideal é que a peça possua uma largura considerável.

Seu fornecedor também tem a obrigação de fornecer as peças com medidas padronizadas conforme seu pedido. Se você for obrigado a trabalhar com tecidos com várias larguras diferentes, você terá de cortar todos para ter as mesmas medidas, de modo que padronize a largura e comprimento das folhas, antes de iniciar o processo de enfestamento e corte. O desperdício será gigantesco. Para evitar essa variação das medidas das folhas existe uma norma ABNT(Associação Brasileira de Normas Técnicas), que determina o quanto de variação é tolerável nos comprimentos da folha. Essa tolerância é de mis ou menos 2%, ou seja, as medidas podem ser menores ou maiores do que as especificadas pelo fabricante desde que está diferença esteja dentro dos 2% do tamanho pelo qual o produto foi comprado. Deste modo você não corre o risco de se deparar com folhas de medidas muito diferentes com variações muito grandes de 5/6 cm, facilitando seu trabalho e evitando desperdícios muito grandes.

Imaginemos que você produza peças de 3 tamanhos (P, M e G) e de três cores diferentes (Vermelho, azul e verde). Quando você cortar as peças P, com as cores enfestadas, uma em cima da outra. Imaginemos que você tenha P, M e G, nas cores vermelho, azul e verde, iniciando o P, lembrando que todas as cores estão enfestadas uma em cima da outra, cortando todas as partes componentes daquele produto, daquela modelagem no tamanho P,  que vai sair vermelho, azul e verde.

Depois você passa para o tamanho M ou para o G, porém na hora do encaixe um enfesto é impar, você não consegue cortar par, neste caso você deve cortar na tesoura, você fez em encaixe de 37 peças, Você vai enfestar de forma que o tamanho P que é 30, o tamanho M que é 35, tamanho G que é 32. Vai ficar uma loucura e você será obrigado a cortar a diferença na tesoura ou vai precisar cortar mais peças do que foi pedido para você naquele tamanho.

Mais uma das coisas essenciais para um bom corte é o encaixe padronizado juntamente com o planejamento de corte. Deste modo você evita cortar muitas peças a mais ou a menos, sempre buscando fazer um planejamento de duas peças a mais.Esse trabalho é feito nas vendas pelo comercial orientando como funciona um Planejamento de Corte Assim você não precisa cortar com a tesoura essas peças a mais caso o pedido comercial do P,M,G seja diferente.

Existe uma técnica que muitas empresas utilizam para aumentar a rapidez dos processos e que elimina uma fase além de auxiliar na organização. Esta técnica consiste em separar as folhas por lote e numera-las na hora que está sendo feito o corte e separação.

Finalizando, o último dos pontos  importantes que merecem atenção para atingir um corte excelente é sobre a quantidade de peças por lote. Quanto menor a razão peças/lote,  mais rápida é sua produção e por consequência maior é sua produtividade.  Isto claramente auxilia e muito sua empresa. Como muitas empresas fazem uso do encaixe manual, por possuir melhor aproveitamento  que o encaixe feito no CAD, mas também muito mais demorado. Os sofs de encaixe, redução e ampliação vieram para dar mais velocidade e algumas vezes mais qualidade. Fazer esta separação em pequenos lotes vai tornar seu corte muito eficaz. Mesmo para empresas que não utilizam CAD, eficiência nunca é demais, ainda mais para algo tão fácil de botar em prática.

Espero que tenha te ajudado com este conteúdo sobre o Corte, qualquer pergunta ou mesmo sugestão, peço que entre em contato comigo que terei o maior prazer de conversar com você. Para você que é faccionista, confeccionista ou que tem uma loja, estes conteúdos são muito interessantes para vocês, eles permitem que você tenha uma visão ampliada sobre a fabricação dos produtos e seu caminho antes de chegar à sua loja.

Em breve estarei escrevendo sobre mais conteúdos.

Luiz Roberto Saraiva

Luiz Roberto Saraiva em Gestão da Indústria de Confecção
Sou natural da Tijuca, no Rio de Janeiro. Tenho 47 anos, sou graduado em Administração de Empresas pelo Senai/Cetiqt e possuo pós-graduação em Logística Empresarial pela Funcefet. Depois de mais de 19 anos de atuação profissional, posso dizer que sou simplesmente apaixonado pelo mundo da indústria têxtil e de confecção do vestuário.